Leituras na Quarentena / Quarantine Readings

[English below] Essa semana, finalmente, consegui iniciar a leitura de “Torto Arado”, do escritor Itamar Vieira Junior. O livro é um sucesso de vendas, muito comentado nas mídias e vencedor do Jabuti (2021) na categoria de melhor romance. Mas a intenção do post não é fazer uma resenha do livro, até porque ainda não terminei a leitura. É para chamar atenção a este gênero de romance, que tanto me cativou durante a quarentena. Algumas pessoas chamariam de romances históricos, porque apesar dos personagens fictícios, abordam com fidelidade o contexto histórico em que a trama discorre e – talvez o ponto central – falam da vida de personagens que sempre ficam à margem das grandes narrativas históricas, as pessoas comuns, trabalhadoras, precarizadas, escravizadas, a depender da temporalidade histórica. Para não me alongar demais, resolvi indicar três livros que li durante a quarentena, que apresentam esta característica de ser um romance histórico ou um romance baseado na memória social dos comuns. Vou listá-los abaixo e deixar copiado uma breve nota dos editores. Espero que desperte a curiosidade de todas e todos. Boas leituras!

Becos da Memória, de Conceição Evaristo (Rio de Janeiro, Pallas, 2017) – “Becos da memória é um dos mais importantes romances memorialistas da literatura contemporânea brasileira. A autora traduz, a partir de seus muitos personagens, a complexidade humana e os sentimentos profundos dos que enfrentam cotidianamente o desamparo, o preconceito, a fome e a miséria; dos que a cada dia têm a vida por um fio. Sem perder o lirismo e a delicadeza, a autora discute, como poucos, questões profundas da sociedade brasileira.”

Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves (Rio de Janeiro, Record, 2019) – “No final do século XIX, Kehinde, uma africana idosa, cega e à beira da morte, viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas. Ao longo da travessia, ela vai contando sua vida, marcada por mortes, estupros, violência e escravidão. Neste romance, os fatos históricos estão imersos no cotidiano e na vida dos personagens, criando a saga emocionante e verossímil da história de Kehinde.”

Predadores, de Pepetela (Rio de Janeiro, Língua Geral, 2008) – “Este romance visa narrar a história da Angola de 1974 – ano que antecede à independência – a 2004. O autor procura apresentar o ambicioso Vladimiro Caposso, retrato-tipo do burguês que se formou a partir da independência do país. O humilde José, filho de enfermeiro e avesso à política, foi capaz de modificar toda a sua vida, inventar um passado, um nome e até mesmo um pai para subir na escala social. Ele recorre à máquina do Estado para, por meios ilícitos, conquistar o que deseja, sempre fora da vontade coletiva. Da pequena loja de Sô Almicar, à gigante fazenda com heliporto e campo de golfe que rouba a água do rio e fecha o caminho dos pastores, pode-se observar, através da escrita de Pepetela, a ascensão e queda deste empresário. O autor busca falar ainda dos portugueses e angolanos que abandonaram o país, inconformados com a independência.”

This week, I finally managed to start reading “Torto Arado”, by writer Itamar Vieira Junior. The book is a sales success in Brazil, much talked about in the media and winner of Jabuti Brazilian Prize (2021) in the category of best novel. But the intention of the post is not to review the book, mainly because I have not finished reading it, but to draw attention to this genre of romance which captivated me so much during the quarantine. Some people would call it a historical novel, because despite the fictional characters, they approach it with faithfulness to the historical context in which the plot takes place and – perhaps the central point – speak of the lives of characters who are always on the margins of great historical narratives, such as ordinary people, workers, precarious, and enslaved, depending on historical temporality. To be short, I decided to indicate three books I read during the quarantine which present this characteristic of being a historical novel, or a novel based on the social memory of ordinary people. I listed them below and copied a brief note from the editors. I hope it arouses everyone’s curiosity. Good readings!

Becos da Memória (Memory Alleys), by Conceição Evaristo (Rio de Janeiro, Pallas, 2017) – “Becos da Memória is one of the most important memorial novels in contemporary Brazilian literature. The author translates, from its many characters, human complexity and profound feelings from those who face helplessness, prejudice, hunger and misery on a daily basis, from those who each day have their lives by a thread. Without losing lyricism and delicacy, the author discusses, as few do, profound issues in Brazilian society. “

Um defeito de cor (A color defect), by Ana Maria Gonçalves (Rio de Janeiro, Record, 2019) – “At the end of the 19th century, Kehinde, an elderly African woman, blind and on the verge of death, travels from Africa to Brazil in search of her lost son for decades. Along the crossing, she tells her life, marked by deaths, rapes, violence and slavery. In this novel, the historical facts are immersed in the daily lives and in the lives of the characters, creating the exciting and credible saga of Kehinde’s story.”

Predadores (Predators), by Pepetela (Rio de Janeiro, Língua Geral, 2008) – “This novel aims to narrate the history of Angola from 1974 – the year before independence – to 2004. The author seeks to present the ambitious Vladimiro Caposso, a typical portrait of the bourgeois that was formed from the country’s independence. The humble José, son of a nurse and averse to politics, was able to change his whole life, invent a past, a name and even a father to climb the social ladder. To the State machine to, by illicit means, conquer what it desires, always outside the collective will. From the small shop of Sô Almicar, to the giant farm with helipad and golf course that steals the river water and closes the path of the shepherds, one can observe, through Pepetela’s writing, the rise and fall of this entrepreneur. The author also seeks to speak of the Portuguese and Angolans who left the country, unhappy with their independence.”

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